Seguidores

sábado, 22 de novembro de 2008

Natanael - Texto de Álamo Pimentel.

Nossas vivências e Álamo Pimentel.
Um professor ao iniciar sua carreira traz consigo uma quantidade significativa de idéias prontas, e ao desenrolar de suas atividades docentes, umas ele põe em prática outras descobre dia a dia o quanto são subjetivas, e que talvez em uma outra comunidade escolar, ou cidade, ou país, tais idéias seriam possíveis de se realizar, mas na sua comunidade escolar não. É exatamente por isso que Álamo Pimentel diz que: “A sociedade é uma teia de subjetividades, escola e educação, na interioridade do social são, também, resultantes de tramas subjetivas”, e por isso o projeto político pedagógico da escola é bastante importante, assim como também é os conselhos de classe, as reuniões, os grêmios, o planejamento, pois esses nos dão suporte de interação entre a sociedade, ou comunidade escolar e a prática pedagógica da escola contribuindo para uma gestão democrática.
Em nossas escolas vemos muitas vezes que a relação escola/família/aluno acontece muito precariamente, a organização do espaço/tempo desfavorece o aparecimento de novas idéias, é criada uma rotina onde como diz Álamo Pimentel, “Cada indivíduo é objetivamente controlado no seu interior, sendo fixado em seu lugar. Aluno é aluno, professor é professor, diretor é diretor e há até um clichê muito comum no qual costuma-se comparar velhos funcionários aos móveis e utensílios da escola. A escola e a educação transformam-se em engrenagens institucionais, tornam—se reféns de uma ordem totalitária e burocrática que prende e asfixia as presenças humanas que circulam no seu interior.” Alguns professores aproveitam essas reuniões estruturadas, para fazerem alguma obrigação familiar e extra escola, evitando expor suas idéias nas reuniões mostrando uma demência quanto ao valor da convivência no processo de ensino aprendizagem mas concordo com Álamo, em Escola, educação e vida quando diz: “Na identificação e diálogo com o outro, o educador amplia as condições de convivência com os conflitos e as possibilidades de estar com o outro”. Mesmo não havendo consenso nas decisões, mesmo assim, temos que nos apegarmos ao contraditório e aprender que é necessário que se tenha múltiplas idéias, mesmo se as julgamos inadequadas.
“À medida em que o ser humano expande-se no mundo, ele convive com regras, valores, conceitos, práticas, crenças e costumes que o antecede, o atravessa e o atiça à criação contínua de novos saberes e práticas nos quais imprime as suas marcas”. (Álamo Pimentel), mas olhando para nossa realidade em nossas escolas planejadas para docentes e alunos, perguntamos que docentes? Que alunos? E essas perguntas não retornam se não apenas seu próprio eco, porque não há planejamento direcionado, nem mesmo um objetivo traçado para os alunos e/ou professores, que muitas vezes saberá que é um funcionário daquela escola quase no dia de assumir a sala, os valores sociais são deixados de lado, o relacionamento professor/comunidade inexiste, e o aluno se vê no meio de uma série de erros, grosseiro e autoritários, numa escola que se auto titula democrática, sem pensar no aluno como um ser social, com valores e crenças, com capacidades. Perguntamos como será a definição de democracia para os alunos? Estudando em escolas como as nossas.
Devemos olhar para nossa escola como um celeiro de cidadão críticos e tratar nossos alunos, e toda comunidade escolar com mais democracia, integrando e dividindo responsabilidades, isto é: democratizando a escola, pois como dia Álamo, “é no dia-a-dia que a escola e a educação tornam-se terra fértil para a multiplicação de experiências pedagógicas e experiências de vida”.
Creio que as idéias são válidas, as pessoas são válidas, mesmo que não sejam complementares, mesmo que não sejam as mesmas, pois o contraditório faz refletir, e pessoas à democratização da reflexão.

Nenhum comentário: